INTERNET

Para Teles, bloqueio após franquia é culpa de quem usa muito a internet

Luís Osvaldo Grossmann ... 03/05/2016 ... Convergência Digital

Para as teles, o bloqueio ou cobrança adicional após o consumo das franquias contratadas são medidas de esforço educativo. “Não há como garantir qualidade sem disciplinar o uso. Ninguém quer limitar nada, é nosso ganha pão. Mas precisamos entender quem são os vilões. 90% das residências com banda larga fixa consomem até 100 GB por mês. Os abusos são pouquíssimos”, resumiu o diretor do sindicato nacional das teles, Sinditelebrasil, Carlos Duprat. O tema foi objeto de uma audiência pública realizada pelo Senado, nesta terça, 3/5. 

Pouco antes, o diretor de relações institucionais da Vivo, Enylson Camolesi, quantificou esses “vilões”: “Em torno de 2% dos usuários da Vivo fazem uso de 22% de tráfego. Quer dizer que mais de 20% dos nossos investimentos visam atender 2% de usuários.” E como que a corrigir o presidente da Anatel, João Rezende, que apontou para os jogos online, sustentou que se tratam especialmente internautas que assistem vídeos pela rede. 

“Não são jogadores de games ou que usam WiFi em casa, que consomem a internet compartilhada com celular, usando redes sociais. Essas pessoas geralmente tem vários televisores 4k em suas residências, passam várias horas por dia assistindo Netflix”, concluiu. Duprat, do Sinditelebrasil, arrematou: “É como se estivéssemos em uma churrascaria onde todo mundo paga igual, mas um consome, outro não consome.”

É um argumento batido para quem acompanha essa questão de franquia. Nos Estados Unidos, ele só foi efetivamente superado depois que o equivalente ao Sinditelebrasil de lá admitiu, há três anos, que o uso de limites de dados nos contratos em nada endereça problemas de uso ‘excessivo’, mas tem como “principal propósito monetizar custos fixos altos”. 

Há outros problemas com os exemplos apresentados pelas empresas. A começar pela ‘churrascaria’. Afinal, ao contrário do que acontece no restaurante, a ‘banda’ não é consumida como um pedaço de picanha. E isso permite que as empresas adotem como prática vender a mesma ‘banda’ várias vezes – o ‘overbooking’ é usual nesse mercado e é aí que começam os problemas de engarrafamento nas redes.

As operadoras sustentaram ainda que ‘as receitas não acompanham o crescimento da demanda’. E lá aparece o gráfico que o setor chama de ‘boca de jacaré’, em que supostamente é demonstrado essa diferença entre tráfego e receitas. Duprat sustentou o raciocínio com base na experiência adquirida em décadas de Ericsson. 

Curiosamente, a mesma Ericsson já desmontou essa lógica há pelo menos seis anos, ao apontar em um estudo que “esse e outros gráficos similares são puramente conceituais. Não há escala no eixo, nenhuma fonte para os dados”. A ideia é que as redes custam muito caro para serem implantadas, de fato. Mas a ampliação da capacidade – e esse é o ponto reclamado pelas teles – custa uma fração da primeira etapa. 

Mas se os argumentos podem ser questionados, as teles apontam para um ponto efetivo: não há nada na legislação que impeça diferentes modelos de precificação. “É regime privado, a liberdade é a regra, não tem controle de tarifa e é competitivo. As interpretações são forçadas, porque a franquia não fere o marco civil. Esta explícito na exposição de motivos da lei. Os investimentos dependem de diversidade nos modelos de negócios. Se quiserem mudar a regra do jogo, saibam que tem impacto nos investimentos”, concluiu o diretor do Sinditelebrasil. 


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