TELECOM

Operadoras competitivas investem R$ 6 bilhões no Brasil

Por Fábio Barros ... 07/11/2017 ... Convergência Digital

As operadoras competitivas – que são aquelas de porte menor, que operam em regiões específicas, têm modelos de negócio pré-definidos e ofertas diferenciadas, dentro de seus modelos de negócio, atendem clientes finais, ISPs, grandes operadoras, pequenas e médias empresas e clientes residenciais – investiramR$ 6 bilhões no país, revela a pesquisa “O perfil das operadoras competitivas” durante a décima edição do Seminário Telcomp. O evento foi realizado nesta terça-feira, 07, em São Paulo, e teve como tema principal a transformação digital e o setor de telecomunicações.

O CEO da Megatelecom, Carlos Sedeh, detalhou o perfil do segmento. Segundo ele, as operadoras competitivas crescem consistentemente nos últimos cinco anos.  Por conta disso, elas podem ser encontradas hoje em 98,5% dos municípios brasileiros; 6,8 mil delas têm autorização de SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) e formam um conjunto de empresas que responde hoje por 18% da receita líquida do SCM. “Boa parte do crescimento destas empresas se deu por causa da situação Oi, cuja área de concessão cobre 97% do território nacional e, por isso, conta com inúmeras áreas de menor interesse”, diz.

O presidente da Teleco, Eduardo Tude, observou que que a cadeia de valor de telecomunicações é hoje formada por quatro elementos, e que as operadoras competitivas podem ser encontradas em todos eles. “A cadeia de valor começa com as conexões internacionais e segue por transporte e redes metropolitanas; serviços para empresas e governo; e serviços para clientes residenciais e pequenas e médias empresas.

No primeiro elo – o de conexão internacional – a entrada das operadoras competitivas vai permitir que a capacidade de dados dos cabos submarinos que chegam ao Brasil hoje praticamente quadruplique. “Até o ano passado, tínhamos uma capacidade de 78 TB. Com a chegada de novos entrantes, como Monet, Algar, Google e outros, esta capacidade em breve deve chegar a 274 TB”, diz, lembrando que as operadoras competitivas respondem hoje por 12% dos cabos submarinos, devendo chegar a 50% com os novos cabos.

Na elo formado por empresas de transporte e redes metropolitanas, as operadoras competitivas movimentaram R$ 1,2 bilhão em 2016. “São basicamente empresas que atuam no mercado de atacado, vendendo capacidade para outras operadoras”, explica Tude. O executivo da Teleco lembra que, aqui, há uma gama grande de empresas com atuação nacional e regional, todas participando do mercado de atacado. “Juntas, estas companhias têm cerca de 250 mil km de redes ópticas de transporte”, revela, lembrando que o crescimento aqui vem da construção compartilhada e compra de uso de outras redes.

A área de serviços para empresas e governo também conta com operadoras de abrangência nacional e regional. Estas empresas oferecem acesso a internet e serviços gerenciados, atendendo clientes corporativos. Já no atendimento a clientes residenciais e pequenas e médias empresas, são encontradas operadoras competitivas provendo serviços de TV a cabo, 4G, satélite, e outros.

“Aqui há empresas pequenas, com atuação em um ou dois municípios e outras que atuam em todos os elos da cadeia, como a Algar”, afirma. Mais abrangente, este grupo teve, em 2016, uma receita estimada de R$ 2,1 bilhões. Um dos pontos discutidos pelo estudo foi a necessidade de uma regulamentação que permita a competição entre estas empresas e a simplificação de regras para o compartilhamento de dutos e postes. “Este é ponto no qual o regulador deve se concentrar no futuro”, completou Sedeh.


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Inovação é a palavra-chave para a operadora competitiva competir no mercado de telecom, diz o vice-presidente da AmericaNet, José Luiz Pelosini. Ele lamenta que aspectos regulatórios inviabilizem a expansão dos negócios. "Compartilhamento ainda é um entrave".

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André Costa, CEO da operadora, com atuação na Bahia e no Sergipe, diz que o governo cobra muito e devolve pouco. Sobre o compartilhamento é taxativo: "O acordo entre a Anatel e Aneel pelos postes não é praticado em nenhum lugar do Brasil".

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"Falta apoio dos órgãos públicos, falta financiamento acessível, falta vontade de fazer", diz Rui Gomes, CEO da UMtelecom, empresa que atua na Região Nordeste.

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O presidente da Anatel admite que para as operadoras competitivas há mais dificuldades para celebrar acordos com as concessionárias, mas diz que é preciso levar o embate para o órgão regulador.

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Em nota, o SindiTelebrasil adverte que o Supremo Tribunal Federal já decidiu sobre o tema em leis dos estados da Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Se o PL 3019/15 for aprovado no Senado, as operadoras terão de instalar, manter e gerenciar os sistemas.


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