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Crise econômica e alta nos preços travam a venda de smartphones no Brasil

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Convergência Digital* - 22/04/2019

Em 2018, a retração voltou a assombrar o mercado mobile após um 2017 de recuperação.Foram 46,9 milhões de celulares vendidos, queda de 6,8% em relação a 2017. Deles, 44,4 milhões foram de smartphones e 2,5 milhões de feature phones, revela estudo da IDC Brasil. Na avaliação de Renato Meireles, analista de mercado em Mobile Phones & Devices da IDC Brasil, o cenário macroeconômico do país freou o consumo em 2018.

“Passamos por três momentos que refletiram negativamente no mercado: a greve dos caminhoneiros, as eleições e a alta flutuação do dólar. O índice de confiança dos investidores diminuiu e, no decorrer do ano, a discussão de temas políticos e socioeconômicos, como a reforma da Previdência e a eleição presidencial, afetaram praticamente todo o setor de tecnologia”, diz Meireles.Para o analista da IDC, a falta de novidades, principalmente em relação ao design, também influenciou a trava no consumo de smartphones.

Quanto à receita, foi de R$ 58,1 bilhões, alta de 6% em relação a 2017. Dos 44,4 milhões de smartphones vendidos em 2018, 39,8% custavam entre R$ 700 e R$ 1.099, baixa de 25,8% em relação a 2017. Os aparelhos entre R$ 1.100 e R$ 1.999 ficaram com 35,6% do mercado, alta de 73,1% em relação ao ano anterior, e os modelos com preços abaixo de R$ 699 ficaram com 14,1% do setor, queda de 41,5%. No ano, o ticket médio dos smartphones sofreu alta de 13,8% e passou de R$ 1.149 em 2017 para R$ 1.307 em 2018.

De todo o mercado mobile, os smartphones representam 94,5% e os feature phones, 5,5%. A categoria com menos representatividade caiu 16,2% em unidades vendidas em 2018 e em receita também, passando de R$ 347,8 mil em 2017 para R$ 332,7 mil em 2018. O ticket médio aumentou 14,1%, custando R$ 129.

Em 2018, o pior trimestre foi o último. De outubro a dezembro foi registrada queda de 14,3% nas vendas, com 10,7 milhões de unidades. O preço médio dos smartphones foi o maior do ano: passou de R$ 1.232 no quarto trimestre de 2017 para R$ 1.480 em 2018. A receita cresceu 3% e registrou R$ 15,9 bilhões. “O trimestre só não foi pior por conta da Black Friday e do Natal, épocas em que o consumidor encontrou promoções interessantes.  Ainda assim, não conseguiram superar os resultados dos mesmos eventos de 2017 e o mercado caiu mais do que em todos os outros trimestres”, explica o analista da IDC.

Para 2019, a expectativa é de queda de 4,3% para os smartphones, com 42,5 milhões de unidades vendidas, e queda de 6,3% para os feature phones, com 2,4 milhões. De acordo com a IDC Brasil, o primeiro e o segundo trimestre de 2019 serão mais fracos por conta do fim da Lei do Bem, que impacta diretamente o preço final do produto. “Sem esse incentivo para as fabricantes, o varejo acaba repassando o aumento ao consumidor e isso fará o mercado retrair. No entanto, haverá discussões sobre a substituição dessa lei para os incentivos voltarem ainda este ano”, comenta o analista.

Já o desempenho do terceiro e quarto trimestre pode ser um pouco melhor. Segundo Meireles, a reforma da Previdência também estará em discussão, o consumidor vai estar mais confiante, o mercado receberá novas marcas e as fabricantes locais devem lançar produtos com especificações mais robustas e design inovador, oferecendo novidades para todas as categorias.

No mercado de smartphones, as duas faixas de preço, de R$ 700 a R$ 1.099 e R$ 1.100 a R$ 1.999, serão as mais competitivas. “Os modelos de entrada ficarão mais caros e migrarão para a categoria entre R$ 700 e R$ 1.100”. Quanto aos feature phones, que ainda têm demanda em regiões mais remotas do País, continuarão contando com ofertas de alguns fabricantes.

Em relação ao 5G, o Brasil ainda não terá novidades em 2019. Para Meireles, o 4G e o Wi-Fi atendem bem a necessidade do consumidor hoje e é preciso avaliar até que ponto ele pagaria mais por um produto com 5G. “Um smartphone como esse no Brasil chegaria na categoria premium e super premium com preços acima de R$ 2.500”, diz o analista da IDC.

Além disso, segundo ele, adaptar a infraestrutura para receber a tecnologia no País é um desafio. “Mesmo com alguns leilões para adoção do 5G previstos para este ano, os investimentos necessários em infraestrutura para levar o sinal a todos são uma realidade ainda distante no Brasil”. Meireles enxerga apenas o mercado B2B avançando com a tecnologia no curto prazo. “Neste caso, o 5G vai otimizar e inovar áreas como a da saúde, indústria automotiva, agronegócio e até mesmo interligada ao segmento de IoT”, completa o analista da IDC Brasil.

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