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Teles não podem repetir 4G e serem engolidas pelas OTTs no 5G

Convergência Digital - Carreira
Luís Osvaldo Grossmann - 08/11/2019

O 5G ainda começa a desabrochar em alguns países, com as primeiras aplicações em curso com as expectativas, focadas na maior capacidade de rede, e as operadoras buscando monetizar esse novo investimento. Se o retorno virá com a multiplicação de serviços ou surgirá uma aplicação matadora, é cedo para dizer. Mas o tamanho do sucesso depende da capacidade de inovar e oferecer a nova onda. 

“Vender simcard e cobrar por volume vai levar a um forte prejuízo. A única maneira de monetizar o IoT é ser dona do serviço, dona da plataforma e dona do conteúdo. Senão vem o ‘Spotiot’, o ‘Iotflix’”, acredita o consultor de telecomunicações da Claro, Carlos Alberto Camardella. 

Com disse durante o Workshop 5G no Brasil, realizado em Brasília pela Network Eventos, “a partir do iPhone ninguém mais queria voz e SMS, mas banda larga, com franquia menor, a preços menores. Perdemos mais de 30% do mercado. Hoje o consumo de dados já passa de 70% da receita. E quem ganha com isso são as OTTs, porque estamos vendendo simcard, não estamos vendendo o serviço”. 

“A gente não pode perder o bonde da aplicação como aconteceu com aplicações na nuvem das over the top como Netflix, Spotify, Google, Youtube, a gente acabou virando um provedor de conectividade e quem rentabiliza na verdade são as OTTs. Então temos que aproveitar que o 5G é um ambiente de cloud, todo o 5G é baseado em cloud computing, com integração fácil com ambientes de Edge Computing e com ambiente de desenvolvimento de aplicações. De forma que você participe da cadeia de faturamento do que vai prover para o cliente lá na ponta. Senão vamos ser vendedores de tubos. E os tubos pequenininhos para o IoT têm monetização mais complexa ainda.”

Isso envolve participar do desenvolvimento do que ainda nem se sabe o que é. “O que a gente tem são previsões de produtos e serviços que podem aproveitar tudo de bom que o 5G vai proporcionar, todos os automatismos, baixa latência, grande capacidade, milhares de dispositivos conectados numa única célula. Mas a aplicação mesmo a gente ainda não sabe o que vem. Do mesmo jeito que o iPhone foi uma coisa disruptiva, que o vídeo foi disruptivo com o 4G, pode aparecer outra coisa disruptiva, como aplicação ou como tecnologia. Nada do que está sendo previsto vai explodir, vai ser a killer application. Pode ser que a gente tenha varias aplicações pequenininhas que no todo vão levar à glória, ou pode vir uma que ninguém está imaginando ainda.” Assista a entrevista com o consultor de telecomunicações da Claro, Carlos Alberto Camardella.

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