Unida às rivais pela Oi Móvel, Vivo entra na briga pela rede neutra de fibra

Ana Paula Lobo ... 29/07/2020 ... Convergência Digital

Unida às rivais pela aquisição da Oi Móvel, a Vivo marcou a sua entrada como uma provedora de rede neutra e independente ao mercado nesta quarta-feira, 29/07. A companhia, em informe ao mercado na CVM e também na teleconferência de resultados do segundo semestre, assume que fibra ótica é a estratégia central dos negócios.

A Vivo confirmou que busca parceiros e investidores para construir uma rede de fibra ótica neutra e independente para o atacado. Mas a Vivo dará uma ajuda considerável. Expectativa é ter essa infraestrutura operacional já em 2021 e a operadora passará 1,1 milhão de homes passed (residências aptas a assinar serviços de fibra) para a carteira dessa nova empresa. As rivais TIM e a própria Oi estão também se viabilizando nesse segmento.

O interesse em fibra ótica se explica nos resultados do segundo trimestre. As receitas de FTTH (fibra óptica até a residência) e IPTV (TV pela Internet) cresceram significativamente.  (+ 47,6% aa e + 22,3% aa, respectivamente), mesmo com o impacto da pandemia. O cronograma da Vivo para FTTH é ambicioso. Planeja chegar a 216 cidades até o fim do ano e a 14 milhões de home passed em 2021 e dobrar para 22 milhões até 2022. O modelo passa pelo crescimento orgânico, com investimentos da Vivo, e por parcerias com empresas do mercado como a American Tower, em Minas Gerais, franquias e outras alianças comerciais - além da rede neutra independente.

"O segundo trimestre foi um período atípico para todos. Nossa rede chegou a registrar um incremento de 40% no tráfego e fomos resilientes. Se houve perda em alguns segmentos, em outros, como fibra, adicionamos clientes", afirmou o CEO da Vivo, Christian Gebara, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre.

Indagado sobre a proposta de compra da Oi Móvel, o executivo foi bastante cauteloso, mas reafirmou que a proposta das teles sustenta o investimento no mercado nacional. "As três operadoras estão no Brasil há anos e são investidoras. Têm sinergias para atendimento aos clientes, na infraestrutura. Temos um projeto para o Brasil. É claro que também estamos, individualmente, interessados no espectro a ser incorporado com a aquisição", afirmou.

Resultados
 
Entre abril e junho, meses de maior quarentena, a Vivo informa que atingiu seu recorde ao adicionar mais de 210 mil novos clientes nesse serviço, chegando a 2,9 milhões de acessos - um crescimento de 32% quando comparado com igual período do ano anterior. As receitas de fibra já representam 47,8% da receita de banda larga, que teve alta de 6,7% no período. O negócio móvel foi resiliente no segundo trimestre e elevou em 1% seus acessos, com market share de 33%, maior percentual registrado nos últimos 14 anos.

O pós-pago, que lidera os destaques deste segmento, cresceu 3,4% no comparativo anual, representando 57,9% do volume total, e segue no topo com 39% de market share. Os investimentos no trimestre somaram R$ 1,9 bilhão, com foco na expansão da rede de fibra, que entre abril e junho chegou em 30 cidades - atingindo 216 municípios-, e na ampliação da cobertura 4.5G, hoje em mais de 1,3 mil cidades.

O EBITDA - lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização - reduziu 3,8% no segundo trimestre e alcançou R$ 4,1 bilhões. O resultado é consequência da menor atividade comercial do período em função da pandemia, mas parcialmente compensado pela eficiência no controle de custos. A margem EBITDA foi na direção contrária, com alta de 0,5 ponto percentual atingindo 39,8%. No semestre, essa margem chega a 40,4%, com crescimento de 0,9 ponto percentual.

O fluxo de caixa livre se manteve resistente e registrou R$ 2,8 bilhões, com aumento de 27% no período. Os custos operacionais, excluindo os gastos com depreciação e amortização, caíram 5,9%, alcançando R$ 6,2 bilhões. Essa queda foi influenciada, principalmente, por menores custos comerciais e com vendas de aparelhos.

O lucro líquido seguiu estável quando comparado ao primeiro trimestre de 2020 e atingiu R$ 1,1 bilhão. Na comparação anual, a queda foi de 21,6% por conta de menor EBITDA e elevação dos gastos com depreciação. Isso se deu em função de maiores investimentos nos últimos anos e menores declarações de Juros sobre Capital Próprio no período.

A receita de banda larga cresceu 6,7% em comparação ao ano anterior, impulsionada pelas vendas de fibra que evoluíram 47,6% no trimestre. No segmento de TV por assinatura, o IPTV teve aumento de 22,3% na receita e alta de 24,3% de acessos entre abril e junho. O crescimento contribuiu para minimizar a redução de 12,4% na receita total de TV e de 13% nos acessos, reflexo da estratégia mais seletiva, com foco em produtos de maior valor, como o IPTV e da decisão estratégica da Companhia de descontinuar as vendas da tecnologia DTH.

A receita líquida total dos serviços fixos caiu 5,1% no comparativo anual, influenciada pela queda em voz e TV por assinatura, mas compensada parcialmente pelas receitas de banda larga e dados corporativos, que cresceu 4,6% em função do bom desempenho de serviços como dados, cloud, segurança, serviços de TI e vendas de equipamentos.

A receita do serviço móvel caiu 1,5% no trimestre. O pós-pago sofreu menor impacto, com leve queda de 0,7%, enquanto no pré-pago a redução foi de 4,9%, em linha com a diminuição das atividades comerciais. A receita líquida móvel total reduziu 5,1%, reflexo da menor receita do serviço móvel e menor volume de vendas em aparelhos, com diminuição de 40,9% em relação ao igual trimestre do ano anterior.

Segundo ainda a Vivo, as perspectivas em relação à pandemia ainda são incertas no Brasil, mas o início da retomada da economia, ainda que gradual, deve fortalecer o consumo nos próximos meses. Ao final de junho, cerca de 80% das lojas da Vivo já haviam voltado às atividades, com a atenção redobrada e seguindo todas as orientações dos protocolos de prevenção à contaminação do novo coronavírus.


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