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Com nuvem à frente, nova força da TI na pandemia começa a refletir nos orçamentos

Convergência Digital
Luís Osvaldo Grossmann - 10/11/2020

As empresas, entre elas as brasileiras, redescobriram suas áreas de tecnologia da informação. Só precisou uma crise sanitária de escala global e medidas de isolamento sem precedentes que empurraram, para quem pode, o trabalho para fora do ambiente corporativo. Segundo dados apresentados nesta terça, 10/11, pela IDC Brasil, essa redescoberta já se traduz em números. 

“A grande mudança é na mentalidade. CEOs e CFOs viram a importância que a tecnologia traz para dentro das corporações. Gestores de TI estão tendo mais reuniões com executivos, estão sendo mais ouvidos. O ‘top management’ está dando mais valor e mais relevância às conversas tecnológicas. As áreas de TI ganham poder no curto e no médio prazo. E junto com isso vem orçamento”, afirmou o diretor geral da IDC Brasil, Denis Arcieri. 

Como aponta a consultoria, o dinheiro disponível já foi maior em 2020 em relação ao ano anterior. E deve ser melhor em 2021. “A gente entende que as áreas de TI, se não no curtíssimo, mas no médio prazo, terão mais dinheiro. Entre 20% e 25% das empresas estão ampliando seus orçamentos em 2020 comparado com o ano de 2019. E 40% das empresas está sinalizando que terão orçamento superiores a 2020 em 2021”, revelou Arcieri durante o IDC Digital Forum. 

O movimento vem acompanhado de novas demandas. Como destacado pela IDC, os comandos corporativos querem mais TI, mas ao mesmo tempo exigem que os recursos tecnológicos respondam rapidamente às necessidades de cada momento. “Vem uma pressão maior nas áreas de tecnologia, porque os executivos querem custos flexíveis. Isso também explica porque os mercados que tiveram menos impacto com a pandemia foram os de cloud e de serviços gerenciados, que são mercados por natureza orientados a Opex e flexíveis no consumo”, completou o diretor-geral da IDC Brasil. 

Nuvem, notebooks e teletrabalho

Segundo o gerente de pesquisa e consultoria no segmento corporativo da IDC, Luciano Ramos, alguns fatores favorecem as soluções de nuvem, como o aumento do ecossistema de empresas capazes de ajudar a migração de clientes, a mudança na mentalidade para maior foco em iniciativas de transformação digital e novas ofertas que vão de encontro a essa necessidade de atuação em ambientes híbridos. “Hoje é difícil pensar em alguma iniciativa de tecnologia que não considere cloud como um de seus componentes. Isso se traduz no crescimento acima de 28% da cloud pública, e acima de 30% se considerarmos Iaas e Paas somada”, apontou Ramos. 

Na base dos números de 2020 e da tendência para os próximos anos está o deslocamento de, pelo menos, parte do trabalho do escritório para o ambiente doméstico, para quem teve condições de fazê-lo. Isso afetou o mercado de dispositivos, com relevância especial para os notebooks, e a própria forma de comercialização. 

“Se comparados os seis primeiros meses de 2020 com 2019, a proporção de notebooks foi 10 pontos percentuais maior – 60% das vendas eram notebooks, passou para 70%. Isso foi impulsionado por home office, pela busca de funcionários com mobilidade. E a forma de venda esta mudando. Cada vez mais falamos de dispositivo como serviço, que era um nicho de vendas e passou a ser um modelo predominante. Quem busca TI flexível não quer comprar os dispositivos como antigamente”, destacou o gerente de pesquisa e consultoria em consumo da IDC Brasil, Reinaldo Sakis. 

Parte desse movimento será mantida mesmo com o retorno das atividades presenciais. “Antes da pandemia, 14% das empresas falava que até 49% dos funcionários tinha possibilidade de trabalhar remotamente. Saltou para 35% das empresas apontando que metade pode trabalhar remotamente. Mesmo que tenha uma queda no futuro, deve ser cair de 35% para 30%. O ambiente será mixado, com parte em home office. E isso deve continuar”, completou. 


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